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Eu e o futebol, o futebol e eu
Toco y me voy
Bersuit Vergarabat.
Te la toco de primera Vos si querés la agarrás Cada jugada que sueño se hace realidad O pareciera... algo casual. Aunque pongas la barrera Yo te la mando a guardar Toda la vida es un baile y te pueden bailar Aunque no quieras, lo verás En una cancha o en un bar... Dando la vuelta manija me doy Subiendo al latido de esta vibración, Caño, taquito, chilena y tablón El fuego sagrado de mi corazón ...
Toco y me voy La camiseta es como un dios Toco y me voy No importa cuál sea el color...
Y si me pintan la cara Hoy no me voy a achicar Cuando me muerda la pena no voy a llorar Ha terminado el festival... En un picado cualquiera Mi alma se echa a rodar, Este es el juego que siento y no pienso parar Yo pongo el cuerpo hasta el final En una cancha o en un bar... Dando la vuelta manija me doy Subiendo al latido de esta vibración, Caño, taquito, chilena y tablón El fuego sagrado de mi corazón ...
Toco y me voy La camiseta es como un dios Toco y me voy No importa cuál sea el color Del cuadro que sigas toda tu vida Toco y me voy La camiseta es como un dios Toco y me voy No importa cuál sea el color Banderas al viento en la bienvenida
Toco Y Me Voy La Camiseta Es Como Un Dios Del cuadro que sigas toda tu vida Toco Y Me Voy No Importa Cuál Sea El Color...
Escrito por Daniel às 22h44
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O clube de Anibal Trolio
Dentro de uma cafeteria que fica bem em frente ao Obelisco - e de onde se vê com encanto os infindáveis táxis portenhos oronegros perambulando pela rua – há um quadro que me fascina.
Uma foto antiga de Aníbal Trolio, de perfil, vestido com asseio, olhando para o nada com aquele olhar benevolente e impassível dos verdadeiros boêmios, daqueles que deveriam fazer um Julius Rigotto ter vergonha de existir. O quadro anuncia um programa de rádio, “El Club de Aníbal Trolio”. Eu queria ter feito parte desse clubezinho, dessa tanguería, uma vez só na vida.
Quem entra, imagino, acha o lugar uma cafeteria normal. “El Club de Aníbal Trolio”. Que foto. Que lugar.
Que vontade de sumir daqui.
Escrito por Daniel às 17h14
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Aqui estou eu a sugerir um elixir universal: a partir de agora, vamos fazer a elegia do mal. Sejamos menos compromissados com a felicidade do planeta. Que baste a nossa alegria, nosso estupor, nosso sonho, e que todo o resto desfaleça sem vida, sem brilho e jogado às traças pela consciência peçonhenta desse nosso novo mundo, sem dó nem piedade.
Que saiam a estrofe, o verso e a pétala e entrem o sangue e o veneno vertidos e escorreitos. Guardemos a última emoção num museu, para não mais repeti-la, e mutilemos todo o resto, tudo o que requer cuidados e que não pode dar conta de si mesmo. A assistência é uma praga e nós não precisamos dela.
Vamos manejar a nós mesmo com a sabedoria dos novos tempos: olho por olho fustigando tudo ao redor, indo direto às entranhas, virulentamente, até ficarmos todos cegos, aleijados, microscópicos, paralíticos. Inauguremos o império da mais-valia, da lei do mais forte, do mais apto, do mais eficiente, do mais tudo.
Vamos nos sobressair. Chega de imaginar as virtudes do silêncio, da compreensão, da boca fechada em detrimento da palavra leviana, venenosa, mal cuidada. Nada disso, nunca mais: vamos jogar para a torcida. O melhor é sufocar até a morte toda a humildade, espancar a ternura, matar de morte matada o afeto e o espaço do outro dentro de nós. Chega de tentar aprender em sociedade. Nada de compartilhar. Vamos é rir dos erros dos outros.
Espanquemos os pais, as mães, avós e amores. Sigamos nosso nariz, nossa seta, nosso ego, mas sejamos cínicos: não preguemos a maldade – pratiquemo-la com os ares de um santo da cristandade, que melhor será a nossa nova virtude se dissimulada, se mentirosa, se sagaz. Isso, sejamos sagazes. Insinceros, desviantes, mas na hora “h” curtos e certos como uma bala de revólver.
Vamos nos tratar a todos como gados. Vamos desfalecer o mundo inteiro, vamos esquecer de tudo que não nos dê prazer, vamos viver uma vida de absoluta satisfação pessoal, e ainda com mais gosto assim façamos se para tanto maior for o preço das privações alheias.
O melhor possível é nos fortificarmos. Foi-se o tempo em que os homens erguiam muralhas ao redor das nações: melhor seria privilegiar, aqui, a iniciativa individual. Cada um que construa sua própria masmorra. Chega de desculpas, chega de bondades e pensamentos fraternos. A bula papal da nova crença está edificada: cada um por si e somente por si. Darwin sorrirá feliz na tumba.
Chega de amor e de apego, seja de qual espécie for: às crenças, às idéias, aos ancestrais, aos homens e mulheres. Chega. Vamos divinizar o desprezo, o sobressalto, a indiferença; demos asas aos ódios viscerais, aos estímulos de besta que há dentro de nós. Chega de franqueza, de boa intenção. Muito melhor que isso é inaugurar o império das amizades competitivas e interesseiras. Vamos ganhar, custe o que custar, doa a quem doer.
Chega de penúria, de fraqueza, de dúvidas. Sejamos todos inquestionavelmente ruins. Vamos fundar uma nova Igreja do Diabo.
Escrito por Daniel às 23h00
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Cinema
Olhares dizem muito. O meu,quando cruzou com o teu não provocou nada mais do que um suspiro em mim e outro em ti, talvez. Coisa pouca, coisa mesquinha até: ora, um par de olhares como esse deveria reduzir os seres humanos a uma cumplicidade infinita. Tudo se resume nele, nada escapa desse pequeno encontro que, de tão longo dentro da gente, nem os relógios do céu marcam direito quanto dura.
Mas é assim mesmo. O pior das cenas de filme que a gente vive é que elas tomam um roteiro que não escrevemos. Começamos um drama, planejamos uma comédia romântica para inovar o traçado e terminamos num documentário insosso sobre os pingüins da Antártida. Somos diretores que na maioria das vezes não sabemos terminar as nossas obras. Eu, por exemplo: costumo iniciar filmes de suspense baratos que não poriam medo numa criança de dez anos - e os termino com um Chaplin escorado em um poste, com direito a mocinha do lado e todo o resto, na mais completa desarmonia possível entre início e fim. Sou a inofensividade em pessoa.
E tu? No início, achei que gostavas daqueles filmes tão complexos que nem mesmo o próprio diretor entende depois que conclui a “piece of art”. Achei que fosse uma daquelas meninas decididas e elétricas que olham pra gente com cara amarrada de “o que esse cara tá fazendo aqui” quando a gente entra no Cine Guion em certos dias da semana. Mas que nada. Tu não é assim. Acho que tu deve ter visto o ET umas cem vezes, com os olhões arregalados e um balde de dois quilos de pipoca no colo, sem dar um mísero pio: pura idealização, pura fantasia, pura realidade ao mesmo tempo. Foi inevitável.
Mas, de repente, estanquei. E se eu tivesse visto só o teu trailer, sabe? E se o teu filme mesmo fosse bonito só no início, com cenas bem feitas que captassem a atenção, um punhado de falas que abrissem o apetite e depois se transformassem em um daqueles lugares-comuns cretinos, com finais felizes insuportavelmente insossos? Acho que não. Não, né?
E agora? Bom, o roteiro era bonitinho até. Mas virou uma coisa horrorosa agora. Já gastei milhões num orçamento esquizofrênico e altamente alucinógeno. Sempre tive outros projetos, como todo cinemeiro que se preze. Um épico de guerra, uma comédia realmente engraçada, quem sabe um discussão séria sobre qualquer coisa realmente com algum sentido e que, se possível, fosse palpável e se mostrasse interessante pelo tempo que fosse. Desculpe. Tenho vontade de te odiar e não consigo.
Mas que merda de filme esse.
Escrito por Daniel às 12h56
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A Paul van Dyk experience
We're alive
Have you seen a mother Kiss her son goodbye? Have you seen a dark cloud Fight a silver line? I have seen a loved one Tell a million lies
Karma's like a boomerang Whirling deep inside.
May not know A thing about you. You don't know A thing about me. May not know A thing about you
But if we really feel...
We are aliiive... Take a break We are aliii-ve... Take a deep breath We are aliiive... Take a break We are aliiive... Take a deep breath
We're alive
Put me on an loveplane Let's fly up to the sky Help me, love will be The foolest game to get me high. Let's drive out this highway, Feel the future vain. Let this twist and wanna love you so, Here we go.
You don't know A thing about me. I don't know A thing about you. You don't know A thing about me.
But let's enjoy the view...
We are aliiive... Take a break We are aliiive... Take a deep breath We are aliiive... Take a break We are aliiive... Take a deep breath
Don't take yourself too seriously. Relax, release the heat
We may wear different clothes, Pray to God, different robes.
But we're not alone.
We are alive...
We are aliiive... Take a break We are aliiive... Take a deep breath We are aliiive... We are alive, we're alive yeah We are aliiive We are alive We are alive Take a deep breath Take a deep breath Take a deep breath Take a deep breath
Escrito por Daniel às 18h37
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Copo d'água
Alguém me adverte:
O futuro pertence
A quem interessar possa
Não há vagas para todos
E candidatam-se os adeptos
De inúmeras virtudes:
Desde o ócio criativo
Aos patriotas, os escravos
E também os viajantes
E dos anos à frente também se apoderam
Os que domam
Línguas e olhares inacessíveis
E que com elas a todos entendem - e amam
Por todas as latitudes
Pois um velho homem
De um lugar frio, secular
Esquecido, no fim do fim do mundo
Sorvendo o gosto do mate, da água e do som da gaita
Estas necessárias tradições
Perguntou:
e ao presente, quem se candidata?
E o agora?
Não é ele dos que têm a boca seca,
e sentem fome, e ânsia?
Pois o que é mais importante
Quando se tem sede
Do que tomar um copo d’água?
E me respondo:
O presente pertence
A quem interessar possa
Desde que o faça
Inequivocamente
Sem sobressaltos
Firme, decidido e leve
Como quem mata sua sede
Num simples
Copo d’água
Escrito por Daniel às 20h17
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Meu pai
Apesar de ser uma pessoa transbordante de virtudes, meu pai já foi um homem mais rigoroso, de um rigor artificial e comum, encouraçado, cumpridor, daquele que as pessoas usam para debitar, na conta do temperamento, as dificuldades do relacionamento em comum.
Hoje em dia, suas perguntas sobre amenidades e seus sorrisos inesperados são a demonstração de que ele já não é mais o mesmo: nunca ficamos estanques, sempre mudamos, sempre, rodando, rodando, permanecendo nos mesmos lugares mas vendo as coisas de modo diferente. Meu pai rumou a lugares que antes lhe eram severos, inóspitos: a viagem fez bem. Suas longas, profundas digressões sobre as coisas não se dão em mais do que dez palavras, e a profundidade de seu olhar, cheia de uma vivência inquestionável, autoriza a esta estranha e muito convincente prolixidade, que talvez seja a única que realmente me convença.
Hoje meu pai está viajando pelo interior do Estado. Tive saudades dele, e resolvi escrever um pequeno texto-homenagem.
Foi com ele que aprendi a gostar de tango, que é a música dos mansos, dos contemplativos, dos contundentemente apaixonados.
É um grande, meu pai. Modestamente. Na vida, e no que me passa, ele está como Gardel: no tanto que me concerne, cada dia canta melhor.
Escrito por Daniel às 23h51
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Ironia, ironia
Se o Christian jogou no GFPA, se o Delfim Netto quase foi Ministro da Fazenda do Lula, se o FHC disse que é de esquerda, ora bolas, eu também posso citar uma coluna da Martha Medeiros. É dessa semana. Dessa vez, ela falou tudo e mais um pouco.
O conteúdo em detrimento da forma, é só o que peço à humanidade.
Falar
Não compactuo mais com o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder numa relação
Já fui de esconder o que sentia, e sofri com isso. Hoje não escondo nada do que sinto e penso e, às vezes, também sofro com isso, mas ao menos não compactuo mais com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num relacionamento.
Assisti ao filme Mentiras Sinceras com uma pontinha de decepção - os comentários haviam sido ótimos, porém a contenção inglesa do filme me irritou um pouco - mas, nos momentos finais, uma cena aparentemente simples redimiu minha frustração. Embaixo de um guarda-chuva, numa noite fria e molhada, um homem diz para uma mulher o que ela sempre precisou ouvir. E eu pensei: como é fácil libertar alguém de seus fantasmas e, libertando-a, abrir uma possibilidade de tê-la de volta, mais inteira.
Falar o que se sente é considerado uma fraqueza. Ao sermos absolutamente sinceros, a vulnerabilidade se instala. Perde-se o mistério que nos veste tão bem, ficamos nus. E não é este tipo de nudez que nos atrai.
Se a verdade pode parecer perturbadora para quem fala, é extremamente libertadora para quem ouve. É como se uma mão gigantesca varresse num segundo todas as nossas dúvidas. Finalmente, se sabe.
Mas sabe-se o quê? O que todos nós, no fundo, queremos saber: se somos amados.
Tão banal, não?
E no entanto essa banalidade é fomentadora das maiores carências, de traumas que nos aleijam, nos paralisam e nos afastam das pessoas que nos são mais caras. Por que a dificuldade de dizer para alguém o quanto ela é - ou foi - importante? Dizer não como recurso de sedução, mas como um ato de generosidade, dizer sem esperar nada em troca. Dizer, simplesmente.
A maioria das relações - entre amantes, entre pais e filhos, e mesmo entre amigos - ampara-se em mentiras parciais e verdades pela metade. Pode-se passar anos ao lado de alguém falando coisas inteligentíssimas, citando poemas, esbanjando presença de espírito, sem alcançar a delicadeza de uma declaração genuína e libertadora: dar ao outro uma certeza e, com a certeza, a liberdade. Parece que só conseguiremos manter as pessoas ao nosso lado se elas não souberem tudo. Ou, ao menos, se não souberem o essencial. E assim, através da manipulação, a relação passa a ficar doentia, inquieta, frágil. Em vez de uma vida a dois, passa-se a ter uma sobrevida a dois.
Deixar o outro inseguro é uma maneira de prendê-lo a nós - e este "a nós" inspira um providencial duplo sentido. Mesmo que ele tente se libertar, estará amarrado aos pontos de interrogação que colecionou. Somos sádicos e ávaros ao economizar nossos "eu te perdôo", "eu te compreendo", "eu te aceito como és" e o nosso mais profundo "eu te amo" - não o "eu te amo" dito às pressas no final de uma ligação telefônica, por força do hábito, e sim o "eu te amo" que significa: "Seja feliz da maneira que você escolher, meu sentimento permanecerá o mesmo".
Libertar uma pessoa pode levar menos de um minuto. Oprimi-la é trabalho para uma vida. Mais que as mentiras, o silêncio é que é a verdadeira arma letal das relações humanas.
Escrito por Daniel às 20h45
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Dicionário
Minhas palavras
São quatro ou cinco
Mais que isso
Não preciso
Quando perco uma, choro
Se me lembro de outra: sorrio
Rasgo aquela
Escrevo a nova
Mas já não lembro
Quando foi
A última vez
Que o dicionário inteiro eu perdi
Por isso
Não choro mais
Sequer
Pelas letras perdidas, fugitivas
É que esqueci até
Dessa palavra,
Chorar
Foi-se todo o dicionário
Fiquei eu
Escrito por Daniel às 12h59
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Silencio (1932) Letra: Alfredo Le Pera, Horacio Pettorossi y Carlos Gardel Música: Carlos Gardel, H. Pettorossi y Alfredo Le Pera
Silencio en la noche, ya todo está en calma, el músculo duerme, la ambición descansa. Meciendo una cuna, una madre canta un canto querido que llega hasta el alma porque en esa cuna está su esperanza. Eran cinco hermanos, ella era una santa. Eran cinco besos cada mañana rozaban muy tiernos las hebras de plata de esa viejecita de canas muy blancas. Eran cinco hijos que al taller marchaban. Silencio en la noche, ya todo está en calma, el músculo duerme, la ambición trabaja.
Un clarín se oye, peligra la patria y al grito de: ¡Guerra! los hombres se matan... cubriendo de sangre los campos de Francia. Hoy todo ha pasado, renacen las plantas, un himno a la vida los arados cantan. Y a la viejecita de canas muy blancas se quedó muy sola... con cinco medallas que por cinco héroes, la premió la patria. Silencio en la noche, ya todo está en calma, el músculo duerme, la ambición descansa. Un coro lejano de madres que cantan mecen en sus cunas nuevas esperanzas.
Silencio en la noche... Silencio en las almas.
Escrito por Daniel às 11h32
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Golondrinas
Golondrinas Letra: Alfredo Le Pera Música: Carlos Gardel
Golondrinas de un solo verano con ansias constantes de cielos lejanos... Alma criolla, errante y viajera, querer detenerla es una quimera... Golondrinas con fiebre en las alas, peregrinas borrachas de emoción... Siempre sueña con otros caminos la brújula loca de tu corazón...
Criollita de mi pueblo, pebeta de mi barrio, la golondrina un día su vuelo detendrá; no habrá nube en sus ojos de vagas lejanías y en tus brazos amantes su nido construirá. Su anhelo de distancias se aquietará en tu boca con la dulce fragancia de tu viejo querer... Criollita de mi pueblo, pebeta de mi barrio, con las alas plegadas también yo he de volver.
En tus rutas que cruzan los mares, florece una estela azul de cantares y al conjuro de nuevos paisajes suena intensamente tu claro cordaje. Con tu dulce sembrar de armonías tierras lejanas te vieron pasar; otras lunas siguieron tus huellas, tu solo destino es siempre volar.
Escrito por Daniel às 23h27
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Feliz Natal!
Interessante: Machado de Assis iniciou sua vida dizendo que não teria filhos para não contribuir diretamente com a continuidade do legado humano sobre a Terra. Afirmação tão talentosa quanto egoística. Mas aquele gênio menosprezou o fato de que a vida dá voltas, e o “velho Bruxo” provou delas até tontear - rodopiou a seu bel prazer como um peão descontrolado. Depois de perder sua amada Carolina ( e escrever para ela um dos mais belos sonetos que já li), escreveu seu Memorial de Aires, onde no final, trata de uma reconciliação, que não deixa de ser a sua própria, consigo e com o mundo, no que tenha ela sido possível.
O velho Machado, quando vivo, foi epiléptico, taciturno, vendeu balas quando criança. E era um sábio que primava pela discrição. Morto, adentrou na consciência coletiva da literatura brasileira como sua maior expressão. E deu causa à melhor frase que Pedro Bial fez em sua vida, a de que “um país que produziu Machado de Assis tem que dar certo”.
Eu digo isso, acuso essa mudança de temperamento porque estou adepto da idéia de que os seres humanos não estão fadados ao desuso, ao descaso do universo, como se fossem jogados em um álbum velho e empoeirado de amostras vencidas e indesejadas da galáxia. Não. Por mais que a história da humanidade seja muitas vezes a de protagonistas excusos e de grandes opressões, catalogáveis somente naquela linda biblioteca de Borges, a infinita, que descia e revoava entre andares e mais andares infinitos, acredito que evoluímos.
Da penumbra da barbárie, o homem elevou-se e trouxe os seus a novos entendimentos. À dinamite, contrapõe-se a penicilina. Para um Hitler, um Freud. A balança está pesando para o lado que não devia? Sim. Mas o mundo dá voltas, e isso não é uma futilidade, nem uma fórmula pronta. Futilidade é a limitação humana de querer tudo, e agora, seja para o bem e para o mal. O mundo dá voltas, ele dá.
Consultem os mestres da história: se a Terra tivesse até hoje feito menos do que isso, se fosse estanque como uma rocha lunar, já teria sido o profundo e incorrigível Apocalipse da nossa raça. Jesus, se soubesse o quão inglória era sua missão terrena, teria apressado a crucificação: poder não lhe faltaria. Mas seu intento era provar da fé aos outros e pelos outros, e depois morrer dela e por ela, porque demonstrá-la não era o mesmo que expô-la didaticamente – a forma é necessária, mas o conteúdo é tudo, e a culpa que achamos ser uma técnica de coação barata é na verdade nossa, ou dela não nos preocuparíamos. Fato, inquestionável fato; normalmente, a bonança vem depois da tempestade. Nem com o filho do Homem foi diferente.
Por isso, eu exorto os senhores (e as senhoras) a acreditarem comigo nos beneméritos da humanidade, em detrimento dos monstros. Convoco-lhes a verem aquele lindo e definitivo elo esquecido entre tantos de nós, o de nossa coabitação necessária, intangenciável nesse minúsculo planeta, e do que podemos fazer juntos nesta “Residência na Terra”, como soube dizer Neruda. A história do mundo também é a de uma desmesurada busca de soluções, e muitas delas chegaram. O resto ainda está por vir. Por que não?
E volto ao primeiro Machado, o pessimista, o iniciante, quiçá o incompleto: negar, negar e negar só nos leva a edificar uma hospedaria barata. Construamos o alto. Acreditemos no homem comum.
Feliz natal!
Escrito por Daniel às 21h14
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Desencavei esse texto do "Portão 8" nos seus primórdios, lá pelos idos de abril de 2003. Cada vez me convenço mais de que tenho razão.
"Neste fim-de-semana, em Porto Alegre, um adolescente supostamente assassinou outro por razão de uma briga que teria iniciado em calorosos desaforos desferidos, pasmem, pela Internet. Sempre nos mantivemos por uma fixa tradição de delinqüir, e hoje é matéria fora dos catálogos, e da moda, os tradicionais homicídios de bares e escadarias: gritos, facadas e tiros, ajuntamento dos curiosos e soluços de velhinhas e crianças transeuntes. Não.
Agora, procedemos pela celeridade do e-mail e do chat. Sempre se matou de encomenda e por emboscadas célebres e históricas. Por acelerar demais, com espadas de samurai que cortam um indivíduo ao meio, com tiros de fuzil e de canhão. Agora há um novo rito: também eletronicamente, via mouse. Meu amigo Eduardo Delamare certa vez me referiu sobre uns tais de homens novos, que eram uma maravilha e iam mudar a ordem das coisas. Talvez fôssemos dessa estirpe extraordinária, me garantiu sorrindo o rapaz das raves e dos questionamentos infinitos sobre o gênio instável do sexo oposto. Meu caro e feliz Eduardo, antes fosse a tua vontade sempre uma afirmação! Não há homem novo. O homem é sempre o mesmo".
Escrito por Daniel às 16h56
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Dor de cotovelo. Em espanhol.
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Tomo y obligo
Tango
1931
Música: Carlos Gardel Letra: Manuel Romero
Tomo y obligo, mándese un trago, que hoy necesito el recuerdo matar; sin un amigo lejos del pago quiero en su pecho mi pena volcar. Beba conmigo, y si se empaña de vez en cuando mi voz al cantar, no es que la llore porque me engaña, yo sé que un hombre no debe llorar.
Si los pastos conversaran, esta pampa le diría de qué modo la quería, con qué fiebre la adoré. Cuántas veces de rodillas, tembloroso, yo me he hincado bajo el árbol deshojado donde un día la besé. Y hoy al verla envilecida y a otros brazos entregada, fue para mí una puñalada y de celos me cegué, y le juro, todavía no consigo convencerme como pude contenerme y ahí nomás no la maté.
Tomo y obligo, mándese un trago; de las mujeres mejor no hay que hablar, todas, amigo, dan muy mal pago y hoy mi experiencia lo puede afirmar. Siga un consejo, no se enamore y si una vuelta le toca hocicar, fuerza, canejo, sufra y no llore que un hombre macho no debe llorar.
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Escrito por Daniel às 17h09
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Faz sol. Ela está sentada em um banco de uma praça redonda, geometricamente perfeita, celestial. Seus cabelos balançam com o vento, balançam em todas as direções sem perder a harmonia e o desassossego: se esfregam em seu próprio pescoço, fazem voltas e mais voltas, indizíveis, fantasiosas em seu percurso, desconhecidas, de um desconhecido que inquieta e chama à confissão de si mesmo sem angustiar, igual ao de um astronauta que pisa na lua pela primeira vez. Seus cabelos estão longe, seu olhar mais ainda, mas um olhar distante foi feito para ser aproximado. Fale com ela.
Ela está sentada no corredor do hospital, fantasmagórico hospital, sitiada por silêncios infelizes e inoportunos em sua corriqueira desgraça. Seus joelhos dobram, sua face está vívida de uma infelicidade que pulsa como uma batida indesejada e disforme dos sentidos. Está retraída, está pequena, diminuta, menor entre o menor dos corpos. Seus olhos, curiosamente, não estão opacos: conservam algo, como uma maré que vai e volta, que não se decide entre a violência de sua própria ressaca ou a redenção de um novo ânimo, calmo e constante. Fale com ela.
Ela está andando pela 24 de Outubro. Seu passo é modesto, quase parado, e igual ao das andanças dos outros: não há nela qualquer pressa, qualquer atropelamento, sua graciosidade é espontânea, como a de uma pequena, de uma minúscula fonte que despeja sua água ladeira abaixo. Seu rosto está teso, liso, circunspeto, mas sem gravidade, sem ressalvas, sem temores: suas horas e minutos são os do mundo, do agora e do amanhã - são uma convenção meramente passageira, que não lhe diz respeito. Tem olhos verdes, está na plenitude de uma forma que perderá com os anos, mas mesmo assim não se importa – nem sabe disso, e se soubesse relegaria esse rigor do tempo à menor das circunstâncias. Essa indiferença que não há, se existisse, lhe daria um tom ainda mais sublime. Fale com ela.
Sempre fale com ela.
Escrito por Daniel às 22h31
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